02 novembro 2004

Piriquito

Viste-me Nascer, Crescer, e Viver.

Deste-me este nome, que me acompanha agora, e que me fez ser aquilo que sou hoje. Mesmo, fechado nesta gaiola, conseguiste-me iludir, e fazer viver, fazendo-me crer que tudo não passava duma gaiola fictícia, que afinal acabei por descobrir, o é…


Amaste-me, Acarinhaste-me, Ensinaste-me a Vida, e deste-me tudo aquilo que poderia prescisar, e tudo aquilo que poderia querer. Eras como uma inspiração, e uma fonte de energias, inesgotáveis, e davas a tua força a tudo aquilo que tocavas.


Abriste-me a gaiola, e deixaste-me voar e viver o mundo todo á minha maneira, mas só hoje, percebi o quanto valia a minha gaiola. O valor que te dava, e o quão a minha gaiola e a tua companhia me eram importantes e necessários.


Soltaste-me, mas eu não fui capaz de encontrar o caminho de volta, nem fui capaz de cantar e tentar encontrar-te novamente. Agora enquanto voo, tento encontrar uma nova gaiola, uma gaiola a que me possa agarrar, e que me dê simplesmente algo parecido com tudo aquilo que tu me deste e fizeste, e que eu não fui capaz de te retribuir… Hoje, queria simplesmente voltar a cantar para ti, e ver-te sorrir, como nunca.



Para sempre,

Café a Dois

Naquela tarde, estavas tu sentada, naquele mesmo canto do café, e pausadamente o tomavas, quando deste pelo olhar dele. Já sabias quem ele era, e já antes tinhas reparado naquele olhar, aquele olhar que te parecia penetrar o Coração, e que te deixava com uma certa ansiedade.

Mas, nesse dia, também tu notaste algo diferente no olhar dele. Aquele olhar que tantos cafés te tinham feito tomar, nesse dia, parecia outro. E isso arrepiou-te... Sentiste uma pequena brisa atravessar-te levemente o corpo, e ainda pensaste que poderia ser algum sinal, mas rapidamente largaste os teus pensamentos, e concentraste-te novamente naquele olhar.

Enquanto olhavas, timidamente, pelo canto do olho, reparaste que o olhar se desviara. Levantou-se e começou a caminhar no teu sentido. Nesse momento sentiste um tremor de terra dentro ti mesma, e sem dares por isso escorreu-te, levemente, uma gota pela testa. Sentiste ainda um calor tremendo, e parecia que tinhas o coração a arder, e quanto mais ele se aproximava, mais derreteste…

A tua alma ia-se derretendo, silenciosamente, enquanto te crescia uma tremenda ânsia. Não sabias o que fazer, nem o que dizer, e então num pequeno instante lembraste-te de tentar-te refrescar, atirando-te para o fundo do café. Desviando, fixamente o olhar para a outra ponta do café, como quem não queria a coisa. Tentado enganar-te a ti mesma, e ao mesmo tempo, ganhar algum tempo…

Nesse momento, ele, que te observava por entre milhares de pensamentos, e que finalmente tinha decidido ir ao teu encontro, estremeceu. Parou… Olhou calmamente para trás, a tentar perceber, para onde o teu olhar se desviara, agora. Nessa altura, o olhar dele, cruzou-se com o dela, que acabara de entrar no café. Ai, os dois olhares prenderam-se um ao outro, de tal forma que parecia terem trocado mil palavras entre eles, naqueles segundos. Não era um olhar qualquer, pois, aquele olhar que os juntou, parecia que já estava predestinado, e parecia que ambos já estavam à espera um do outro.

Reparaste, enquanto tentavas acalmar-te e refrescar-te naquele canto do café, que agora ele caminhava numa direcção oposto. Caminhava em direcção a algo que brilhava na entrada do Café, mas não conseguiste ver bem o que era, e foi a última vez que o viste. Estremeceste. O teu Coração quase parou, e ainda sentiste a tua alma gelar, antes de voltar a aquecer, ao som do despertador a tocar. Acordaste, e rapidamente te deste da realidade, pois, notaste que afinal, ele estava bem ao teu lado.

Santarém Outrobro 2004

Sol (Taai Joeng)

És aquele que nos ilumina os dias,
Aquele que nos aquece,
Aquele que nos descasca,
Aquele que nos bronzeia,
Aquele que nos dá Vida,
Aquele que nos faz Viver...

Enquanto, tu, Meu Sol,
Eras aquela que me iluminava,
Aquela que me metia um Sorriso,
Aquele Sorriso denunciado,
Aquele Sorriso Apaixonado.

Tu, Meu Sol, eras aquela por quem,
Eu acordava e anciava,
Ver e Partilhar o meu dia-a-dia.
O Sol do meu Coração,
O Sol da minha Alma,
O Sol da minha Vida.

Enquanto aguardo que a noite acabe,
E que um novo dia nasce,
Espero por um dia de Céu azul,
Onde te poderei Ver novamente,
Meu Sol...

太陽

Santarém

25 setembro 2004

Piri

Nesse teu mundo, tentas encontrar aquele ponto que finalmente te deixará escapara para algo, a que tanto te dedicas e esforças, mas que teima em não aparecer...

Neste meu canto, tento, à minha maneira, dar-te algo que te possa ajudar e dar forças para continuares a esforçar-te.


E Aqui entre nós, sinto, e tu, lá no fundo desses teus labirintos, também o sentes, que conseguirás.


Agora, digo-te que só de ti dependerá aquilo que alcançarás...!


A ti, Piri

Santarém, Setembro 2004

07 setembro 2004

Prima Vera


Chegaste, Refrescaste, Aqueceste e Começaste a Florir-nos o Mundo... Mostraste-nos o Amor e Alegraste-nos a Todos, com os teus Longos Dias.

Oh Primavera, Estação do Amor, Quando vens, Fazes-nos Outros!! E o poder que tens para Florir, não só o Mundo, mas também os Nossos Corações, mostra-nos o Quanto devemos à Natureza!!

O Mundo parece que Muda sempre que Vens. E as Pessoas? Essas, Florescem como as Rosas, Apaixonam-se e Alegram-nos esta nossa Sociedade... Ai como tu nos tiras da Monotonia do Mundo Moderno!

Primavera, é pena é seres só uma Estação, e não a Prima Vera, Porque Senão serias a mais Desejeda delas Todas... :)

2000

MACAU


Macau, Terra de Sonhos e Vidas

Lugar de Prazeres e Alegrias
Cidade de Câmbios Culturais,
Onde Predominam Culturas Asio-Europeias.

Cidade onde o Dragão adormecido
Espalha-se por entre Ruas e Ruelas.

Cidade de Paixões e Amores,
Onde o Primeiro Olhar pode Ser Fatal!

澳門
Macau, 5 de Agosto de 2000

25 agosto 2004

História de Um Rapaz

Os contrastes da vida alteram-nos completamente e fazem-mos ou felizes, enérgicos e com força para viver, como também nos metem de rastos, sem paciência nem força para a realidade cruel que o mundo nos transmite. Hoje escrevo sobre este último caso... A tristeza, a solidão, e a tentativa de fuga deste mau episódio da vida de qualquer um. Talvez não de todos, mas de muitos, e para esses muitos, a luz, aquela pequena chama interna da alma, tem de estar sempre muito bem acesa e iluminada, para que não caiam no erro, o erro de terminar com esta maravilhosa sorte, que nem sempre se parece, que é ser um SER Humano. Não só sorte, como também uma honra, e um dom precioso. Algo que jamais deveremos abdicar-nos, por mais torta, ou mal que a vida nos vá correndo...

Teremos sempre uma porta aberta à nossa espera, por mais escondida, baralhada ou confusa que esta esteja, independentemente de acreditarmos em algum Deus, ou algo superior a nós ou não, a vida é algo que só vem, só vive, só vê, só sente, só qualquer coisa que seja, uma e uma só vez. O nosso objectivo em quanto habitantes, residentes, seres deste mundo é o de desfrutar de todas as paixões belezas, aventuras, sonhos, etc, que ele nos proporciona, independentemente, dos abusos deste ou daquele. Aproveitar a vida ao máximo, deixando, ou melhor dando lugar, depois aos nossos próximos, num mundo ainda melhor do que aquele em que nós vivemos.

E aqui começa, só mais uma das muitas vidas que reside, que vive e tenta viver neste mundo. Não é nenhum herói, nem nenhum fracassado, não é nenhum presidente nem nenhum terrorista, nem é uma vida de sucesso nem de insucesso, pois isso só o futuro e os nossos sonhos ou desejos é que escreverão...

Era um jovem alegre, forte, enérgico, sempre cheio de saúde e vida, andava sempre eléctrico, e cheio e vontade para a vida e o mundo. Gostava de falar, aliás até diziam que falava de mais... Sempre traquina, nunca parava quieto e tinha sempre um truque ou brincadeira pronta debaixo da manga. Adorava viajar, conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os costumes, etc... Tinha também uma imaginação muito iluminada e adorava fazer e contar histórias, enfim, era uma jovem criança, ainda prestes por viver os piores momentos da sua vida! O que eram as aulas, as missas, os sermões, as discussões, os stresses, que já lhe chateavam comparados com o que o destino lhe apontaria?

Com os tempos foi perdendo a energia que sempre tivera, e perdendo o dom da palavra que tanto o caracterizava desde criança, ficando mais tímido e calado, mas mantendo sempre a chama e a energia interna bem acesa e prestes em todo o lado que ia e em tudo o que fazia, por vezes até em excesso. O gosto pela vida, o mundo, os lugares e as pessoas continuava intocável, embora o futuro começasse a fazer-lhe tremer, pelo choque e a realidade que o mundo ia descortinando aos poucos...

Com os anos, já um jovem adulto, sente-se inseguro, indeciso, e sem vontade para olhar o "mundo" que está ao seu alcance. O stress e a confusão, deste pequeno novo mundo a que tentava, e ao qual era suposto integrar e habituar, começavam a fazer as suas marcas. A chama começou-se a apagar lentamente, até chegar a um ponto em que os dias iam passando, correndo e voando um atrás do outro, e a vida ia seguindo o rumo que o vento decidisse...

Estava num "mundo" que nada tinha a ver consigo, ou com o que sempre tinha esperado, e num "mundo" extremamente competitivo, no sentido errado. Enfim, ia vivendo e passando os dias, até que se decidiu, tentar mudar com as suas próprias mãos, e com a sua chama interna, o rumo que a vida lhe rumava. Com o tempo as coisas, iam melhorando em seu redor, porém, o stress deste "mundo" era algo que não lhe pertencia, e ao qual dificilmente se conseguiria encaixar, mas mesmo assim a chama que agora ia-se iluminando cada vez mais, dava-lhe forças necessárias para enfrentá-los, ou contorná-los, conforme fosse necessário. Porém nestas alturas, em que se tenta recompor, qualquer turbulência exterior, pode ser a suficiente, para desanimá-lo e era isto que ia acontecendo por diversas vezes, e pelas razões mais variadas.

Por mais tranquilo e controlado que ele pensasse que estava, os acontecimentos mais turbulentos causavam nele recaídas, por vezes a pico, que só não o explodiam, graças à chama iluminadora, que tentava manter-se acesa ao mais alto nível e com a maior vivacidade possível. Nestas alturas, "agarra-se" ás belas coisas da vida, e que a vida nos pode proporcionar, para se manter de pé e com forças suficientes para continuar, por entre este labirinto, à procura da saída mais próxima, ou talvez a melhor saída possível, pois cada saída poderia trazer mais outro labirinto mais complicado e mais complexo, que inevitavelmente fazem parte da vida. Coisas como a família, os amigos, o amor, a natureza e os sons dela, a música, a beleza, etc, davam-lhe baterias extras à luzinha, a chaminha perturbada.

Felizmente nestas alturas, estas são as melhores e únicas coisas com que realmente nos devemos preocupar, pois foi isto que o jovem fez, e foi isto que lhe foi traçando o labirinto e iluminando as caminhadas que fazia por entre o labirinto, Caminhando sem pensar demasiado nas causas que o fizeram cair nele, mas sim caminhando e tentando desfrutar, investigar e vivendo cada caminho do labirinto à procura de mais e novas experiências, par quando finalmente saísse dele, estar preparado para caminhar e viver sem se enganar e deixar cair noutro precipício cujas saídas só viriam através desses labirintos.

Hoje o jovem é alguém, alguém que tu queiras, ou talvez alguém que tu conheças, ou venhas a conhecer... Ou talvez sejas tu ou seja eu o jovem? Pode ser alguém que se veja e seja conhecido, ou pode ainda ser alguém que continua por aí perdido, ainda à procura de uma saída desse labirinto. Por isso mesmo, devemos abrir novas portas e traçar novos caminhos a todos aqueles que se encontram nestes labirintos, pois um dia poderemos ser nós mesmos a cair ou entrar nele sem nos apercebermos disso. Vale sempre a pena tentar melhorar, o todo que nos rodeia, pois só assim, também nós próprios nos encontraremos e viveremos melhor.

Pense novamente...!

Lisboa, 2002~2003

Até Quando?

A Vida hoje em dia parece rumar ao fundo do poço. A grande maioria das pessoas, a população mundial, vive cada vez mais afastada de si mesma. As sociedades tornaram-se em autênticos mundos à parte, onde cada um zela pelos seus interesses pessoais, e viva o dia-a-dia, cada vez mais, sem dignificar a causa da vida. O dinheiro e a ganância humana atingem limites ousados, em que se privilegia o bem estar de uma elite restrita da sociedade, do mundo, em contra-partida do nível de vida do resto da população mundial, que vive cada vez pior e abaixo de um limite aceitável.

O mundo chegou a fases em que, o outro, é cada vez menos parte de nós. Pouco nos interessamos pelos acontecimentos que se fazem passar à nossa volta, e quando o fazemos não passa de uma preocupação que nada ou pouco faz melhorar o mundo que nos rodeia. Estamos numa fase, em que poucos podem realmente fazer a diferença, e esses que podem, nem sempre o fazem, por interesses exteriores à causa. O mundo de hoje vive de lobbies, cunhas e da fortuna em contra-partida da sabedoria, esperteza e humildade.

A Política, onde falar, e criticar a oposição, ou melhor atacar, só pela mera razão de serem a oposição, aparece todos os dias, e em qualquer lado, em vez de fazerem e darem ideias, sugestões e acções que a oposição possa fazer para melhorar em conjunto a sociedade que nos rodeia.

As televisões, transmitem-nos notícias, em que nem sempre se sabe o que é verdadeiro e o que é falso, o que é teoria ou conspiração, e o que é facto ou o que é real, o que é forçado, o que é manipulado, alterado, aldrabado ou até escondido. Há sempre os dois interesses em jogo, e prevalece aquele que tiver mais poder, seja este económico, militar, político, ou outro qualquer. Cabe sempre a cada um de nós julgar a sua opinião, muitas vezes segundo os nossos próprios ideais, orientação política, religião, etc...

No mundo de hoje vive-se para ser alguém de poder, nasce-se, estuda-se, trabalha-se e morre-se. E cada vez menos há aquele amor há vida, aquela honra que cada um de nós deveria sentir em ser um SER Humano, e de dignificar aquela coisa, seja ela um DEUS, um ET, um Macaco, uma Explosão, ou outra coisa qualquer, que nos faz estar aqui hoje no mundo.

O trabalho é muitas vezes encarado como um mal, e quanto menos se fizer, desde que se vá vivendo já é uma satisfação, quando deveríamos estar a trabalhar mutuamente para interesses mútuos, tais como o de preservar em paz e harmonia a entidade humana. O trabalho tem que ser feito, e se ele é carpinteiro ou médico, o outro é polícia ou varredor, mas o que deveria decidir este ou aquele cargo, não é o poder económico-social, religião, sexo, raça, partido, etc, deste ou daquele individuo, mas sim a aptidão, a sabedoria, os conhecimentos, e claro, a vontade ou gosto de cada um de nós.

Vê-se o Mundo, as Sociedades, as Pessoas, as Vidas, e notamos que algo está mal, ou até muito mal, mas por onde começar num mundo tão egoísta, corrupto e materialista como o de hoje?? A História de "Amor" que se descreve neste texto pode parecer um mundo irreal, e impossível nos dias de hoje, ou talvez nem tanto... Será que vale a pena ficar de braços cruzados e deixar andar?

Enquanto uns crescem, enriquecem, constroem e destroem, outros morrem, matam-se, empobrecem, e desaparecem. Mas de quais é que nos recordamos? Conhecem-se os que governam, os que mandam, os que mandam matar, os que compram e mandam construir, etc, mas e os outros que vivem, que trabalham, que constroem, que matam e são mortos, passam-nos completamente ao lado, como se ninguém fossem.

Será que vale a pena morrermos por uma causa, por um Deus, por uma Religião, por uma Ideologia? Será que vale a pena matar por dinheiro, por uma Nação, por uma Bandeira, por mais um bem Material? De que nos servirá a riqueza, depois da morte? De que nos servirá derrubar isto, este, aquele ou aquilo, por um mero interesse que não seja a dignificação da causa Humana?

As grandes potências enriquecem, e levam consigo alguns países atrás, muitos desses só por meros interesses, enquanto outros empobrecem e destroem-se, também por meros interesses dessas mesmas super potências. A Globalização chegou a um ponto em que é um factor inevitável nos dias de hoje, mas infelizmente ela não é levada a cabo por interesses comuns ao bem-estar mundial. Tanto pode ajudar, construir e desenvolver pequenas, médias e grandes empresas, e países, como pode destruir e empobrecer outros.

Mas até quando a raça humana se vai deixar ser enganada? Até quando vamos viver num mundo cheio de burocracias, interesses e ideais? Um mundo, que não é destes ou daqueles, mas que é de todos NÓS. Um mundo em que todos devemos salvaguardá-lo, mantendo-o para que futuras gerações e gerações possam usufruir e habitar nele, como cada um de nós sempre quis e sonhou.

A Maior força do Mundo, embora muitas vezes nos esqueçamos, é o Povo, a População do Mundo. E nenhum Político, Religioso, Líder, Arma, Exército, etc, vencerá alguma vez um povo Mundialmente Unido. Mas será que abriremos os olhos tarde de mais?! Será que daremos as mãos tarde de mais?! Será que nos uniremos por um mesmo ideal tarde de mais?! Só o tempo, e cada um de nós, nos responderão a esta e outras questões...

Lisboa, 2003

13 agosto 2004

Alma Gémea

Fala-me de ti
Diz-me o que és para mim,
Onde Será que nos encontraremos
E será antes que chegue o Fim?

Não consigo viver sem ti,
Mas também não te procuro.
Será que juntos viveremos
Ou ficarei sempre no escuro?

Conta-me coisas do além
Onde o Sol brilha nos teus olhos
E o vento sopra pelos teus cabelos.

Fala-me de ti
Diz-me o que eu sou para ti
Quando é que o desejo de te ver aqui
Me mete a voar para fora daqui?

Por onde será que andas
Longe das minhas bandas,
Minha Alma Gémea,
Minha Alma Gémea.

Santarém, 17 de Março de 2004

Spring

WELCOME WE SAY, FOR YOU TO COME WE WISH,
FOR YOU WE HAVE BEEN WAITING, OH SPRING...

THE FRESH, RAINY SUNNY DAYS YOU BRING,
THE COLOR AND JOY YOU GIVE TO NATURE,
MAKES US ALL FEEL HAPPIER...

OH SPRING YOU FLOURISH OUR LIVES,
AND OPEN OUR MINDS, WITH LOVE FROM THE HEART.

LONGER DAYS, SHORTER NIGHTS AND
ALL WE KNOW ABOUT YOU IS YOUR NAME,
WHEN YOU COME, AND HOW YOU COME...!

OH SPRING, WELCOME BACK, ANOTHER YEAR
HAS COME, AND YOU, ARE BACK AGAIN,
WASHING OUR SUNNY DAYS, AND
MAKING OUR DAYS GREENER!

OH SPRING PLEASE STAY WITH US LONGER!
THE LOVE YOU BLOW TROUGH THE AIR,
THE LOVE YOU GIVE US ALL,
MAKES THE WORLD A BRIGHTER ONE,
ONCE AGAIN, OH SPRING... OH SPRING!

LISBOA, SPRING 2004

A Religião

Falamos diariamente neste tema, mas jamais o compreendemos. O que será que temos de fazer até sabermos o real significado dela, ou será que ela tem algum significado de O ser? Ela está sempre à nossa volta, quer queiramos, quer não, ela vem sempre ter connosco. Sem percebemos porquê aceitamo-la, ou sem sabermos porquê rejeitamo-la. Aqui e ali, pregam-se as diferentes religiões que existem, e aqui e ali mata-se pelas diferentes religiões, e ainda aqui e ali novos seguidores se juntam ás diferentes religiões.

Mas qual será A Verdadeira delas todas? Será que há uma?! Ou será que são Elas são todas verdadeiras? A questão depende de cada um, porque com esta pergunta, teremos milhões de respostas diferentes, e ao mesmo tempo iguais, pois nenhuma delas nos responde realmente ao que queremos saber!

As perguntas mais elementares, que ao mesmo tempo são as mais complexas ficam sempre sem respostas. E Assim continuamos iguais ao que éramos no inicio, e a fazer-mos o que fazíamos.

Será que alguma religião nos protege dos fanatismos religiosos? Será que é um ciclo religioso, que se prossegue durante séculos e séculos, e a que nenhuma religião tem escapatória?

Porque será a riqueza das religiões incalculável, e ao mesmo tempo nos pedem mais? E enquanto isso, mais e mais de nós morremos à fome? Porque será o humano tão vulnerável que só nas alturas de maior aperto se vira para Ela? Porque haverá um homem superior a todos nós, com o poder de nos perdoar, encaminhar, e reencaminhar, quando Ele não têm ninguém que lhe faça o mesmo? As questões da religião são sempre as mesmas, mas as respostas também o são... Mais ainda, as respostas não as há!

Lisboa, 2003/2004

12 agosto 2004

Minerva

Adoro aquela tua maneira de ser,
Mais simples que a Natureza,
Que com um Olhar
Envenena qualquer
Coração perdido...!

Olho-te no olhos, quando
Te vejo nos meus sonhos,
Mas por mais que te ame,
Parece impossível
encontrar-te na altura certa!

Certamente nunca te iria
Conseguir dizer a verdade,
Porque quando falar
É a Solução as palavras
E os meus sentimentos
Parecem desaparecer,
Por entre,
Pensamentos e Receios,
Do que te haverei de dizer!

Lisboa, 2001

Small Thought on Human Life

Human Life, or What We Call Human Evolution, Keeps Taking More and More Control of The World. Wars, Killings, Murders, Robbers, Disasters, Accidents and So On, Keep Destroying and Taking Away The REAL Meaning Of Life... Nations, Countries, Different Cultures, Whole Different People Out There, What For?? Politicians, Cops, Gangs, Military, Rebels and On, and On? Why Are WE So Greedy People? Why Do We Always Want To Give a Step Forward in the WRONG Direction?

What Is All This For, If We Are Going To Leave Sooner Or Later, And Give Way To A lot More Generations Still To Come?! Why Should We Leave It Worse, When We Are Supposed To Come Here, Live Our Life, Know People, Have Fun, Study and Invent, Trip Around The World, And Share Our Love, Our Thoughts, Our Knowledge and Our Dreams,

In Other Words Living Life as If It Was A Story Book. Not Just Any Story Book, But Our Own Story Book, A Special Story Book, Where Our Days Go On and On, Page After Page, Day After Day, On As It Goes, Where Tomorrow Is Not Just Another Day, But A Whole New Day Continuing The Previous Page... And So On As It Goes, Or At Least As It Should Go!

Lisboa, 27 Abril 2001

25 julho 2004

A Primeira Vez

"Já alguma vez experimentaste?" - Perguntou ele, assustado e apavorado, porque na altura, não fazia a minima ideia do que haveria de fazer.
"Sim! E é bom... Muito Bom!" - Respondeu-lhe ela calmamente, com um ar de confiança total, que transcendia-lhe daquele sorriso lindo.

Nesse momento, ele, timido e envergonhado, ficou silencioso. Por entre o silêncio dele, percorriam-lhe dezenas e centenas de ideias pela cabeça, a confusão era tal que ele não sabia se haveria de seguir em frente e experimentar pela primeira vez, ou recuar sem olhar pra trás. Enquanto isso, ela observava-o e fazia aquele sorriso típico de quem observa alguem intimidado, e que não sabe aquilo que perde em não experimentar. Enquanto os dois, se observavam mutamente, sendo que nenhum deles ali estava presente nesse mesmo momento, o rapaz decidiu-se... E experimentou!

Foi assim que descobriu o quão bom que era! O quanto ele tinha perdido nesta vida, e ai ele soube, e decidiu-se, que naqueles anos todos, nunca havia experimentado uma sensação assim... E assim se tornou mergulhador.

24 Julho 2004

23 julho 2004

Aquela Viagem...

Dentro do avião olho e cheiro os últimos cheiros e as ultimas visões do sudoeste asiático. Recordo os momentos que tive, e aqueles que passei... Olho para o passado, e tento não pensar no Futuro longe da terra que aprendi a amar, a cidade onde vivi a minha juventude. Recordo os momentos alegres, os mais tristes, os acontecimentos e tudo aquilo a que chamamos vida... Paro para reflectir, no porque voltei e no porque parto. Cinco meses de volta pelo oriente passaram a voar e acabaram num abrir e fechar de olhos... Talvez o regresso tenha sido demasiado cedo por uma ilusão de algo que parecia mudar aquilo que não queria mudar... Neste momento, vejo e sinto que Errei. Pois aquilo que eu quero é mesmo aquela flor roxa, a flor que reguei quando precisava desabafar, a flor que me fez sorri, chorar, cantar, gritar,...

Aguardo a partida, e vejo à volta as vozes que se fazem ouvir. O Cantonês destaca-se dentro do avião, a língua pela qual me apaixonei, a língua que durante década e meia foi a voz da cidade que hoje vejo partir... Mais uma vez, olho e recordo, e reparo como o tempo voa, como os nãos passam sem uma pessoa dar por eles. – (...) –

Agora que faltam poucos minutos para partir, penso se esta será um “Adeus” ou só mais um “Ate Já”. Está quase a chega ao fim, mais uma passagem pelo Oriente e Agora vejo-me a pensar em quando é que poderei voltar a Ver e a Viver estes momentos únicos e belos que são, cada segundo neste continente onde aprendi e habituei, a Viver e a Amar.

Hong Kong, Agosto 2001

The Sun

Sunny Day, Rainy Day
When You Come,
When You Go,
There Will Always Be,
Someone Sad, Someone Happy.

But Sunny Day,
My Lovely, Beautiful Day,
Won't You Come and Stay!

Oh, Rainy Day, I Would Sadly
Ask You to Come Another Day...

Lisbon on a Rainy Day,
Winter 2000

20 julho 2004

O Caminho Incógnito

Quantas vezes dizia ele que te mostrava o caminho? E quantas vezes ficaste tu perdida? Mas acabaste sempre por voltar aqui! Porque não tentaste saber se eras suposta seguir o caminho, ou se o teu lugar era aqui?
Mas aventureira como sempre foste, continuaste à procura do caminho que ele te dizia mostrar. Sempre que te via partir, despedia-me com um até já, e tu acenavas-me como se fosse um adeus , um adeus para sempre!

Aí, se tu soubesses que isso era só um jardim, e por mais voltas que caminhos que tomasses dentro dele, regressarias sempre a casa, nunca te terias magoado da maneira que te magoaste. Mas esse jardim, não era um jardim qualquer, este era o teu jardim. Onde só crescia, floria, e respirava, aquilo que querias, aquilo que tu semeávas, aquilo que tu regávas...

Este caminho, que nunca parecia levar-te a lado nenhum e que ao mesmo tempo levava-te de volta a casa, era o teu caminho, dentro do teu jardim. Até que acordaste, e deixaste-te levar pela magia e paraste de planear a tua vida, e ai, esse teu jardim, deixou de ser aquilo que era... deixou de iludir-te como o caminho que tentavas sempre percorrer!

Santarém, 2004

O Amor

Quem será, será!
Quem for, foi...

O Amor é isso Mesmo!
Cego, Ardente, Sofredor!

Mas quando é mutuo,
Ai sim, o Amor é Aquilo,
Aquilo, Isto, Aquilo.

Aliás, ai o Amor é tudo.
Tudo o que Quisermos
E Tudo o que Dermos.

Ai o Amor, É Espectacular
É Extraordinário... É Amor!

E quando se Ama,
E é Amado,
A Vida Corre-nos
A Vida Vive-se....

2004

O Som e a Música

Duas ou três notas que tocam repetidamente neste rádio, mas que por si só são capazes de alterar um estado de espírito de qualquer pessoa. Vários sons compõem uma música, e várias músicas compõem um género. O que há de mágico na música que nos consiga alterar completamente o estado de espírito?

Todos temos aquelas nossas músicas que nos caem bem em qualquer altura, e depois temos aquelas que ouvimos só por ouvir, e finalmente as que ouvimos e quase nos transportam para o passado, lembrando-nos de um lugar, uma pessoa, uma noite, uma acção, enfim, lembrando-nos de qualquer coisa... E por vezes alterando-nos completamente!

A música não é só um hobbie, uma profissão, ou um espectáculo. A Música acima de tudo é a única arte que nos une pelos gostos, que nos une por um som, que nos leva todos a outro lugar, onde só cada um de nós o pode descrever. Lugar esse, onde um Som e uma Música, vale mais do que mil Palavras e vale mais do que uma Imagem.

Santarém, 2004

O Velho

O velho caminhava pelo jardim quando reparou nela, e nesse momento sentiu-se tão jovem que poderia voltar a fazer aquilo que fazia nos seus tempos... Tempos esses em que ele conseguia alcançar quase tudo o que desejava... Quase tudo, pois ela era a única coisa que ele sempre desejara e ao mesmo tempo, tudo o que ela odiara.

Ela, era aquela com que todos sonhavam, mas ao mesmo tempo, aquela que não alcançavam. Ela era a verdadeira MUSA, a mulher que todos queremos, mas que não quer ninguém. E hoje, passados muitos anos, ela estava ali sentada, no banco do jardim... Bonita como sempre e com uns olhos de encantar qualquer um. O seu sorriso continuava igual ao da primeira vez em que ele a conhecera.

Cruzaram olhares e ela sorriu, o que lhe deixou perdido. Perdido entre recordações, pensamentos, imagens que lhe flutuavam pela mente e que lhe pareciam levar a algum lado. Ele piscou-lhe o olho, deu meia volta e pensou para sim mesmo - "chegou a hora".

E posto isso partiu. Partiu, porque finalmente tinha conquistado aquilo que mais desejava e mais não tinha a fazer neste mundo de sonhos e ilusões.


Santarém, 2004

Mundo

Mundo Meu, Mundo Teu,
Por Onde Será Que Andas
Onde Será Que Te Meteste
E Porque Te Escondeste?

Mundo Meu, Mundo Teu,
Porque Não És Aquilo Que Imaginei,
Onde Foi Que Te Viraram
Onde Foi Que Te Destruiram...

Santarém, 2004

19 julho 2004

(Sem título)

Acordei a olhar para ti, E logo me apeteceu Ler-te.
Folhei-te um bocado, E só me deste vontade de Escrever-te.

O quê? Não Sei! Mas também não te importas.
Desde que eu pinte estas linhas, com coisas,
Palavras, ou qualquer coisa, Tu contentas-te...

Estou com uma dor de cabeça estrondosa,
É o troco da maluqueira! E que maluqueira!

Porque nos abrimos mais nesse estado?
Ou até demais? Ficamos bastante Vulneráveis?
Baixamos todas as defesas que fomos Erguendo,
E ai, tornamo-nos nós Mesmos?
Ou é a ilusão que tenho? Que puta de dor, esta que eu tenho,
E Como não te escrevo, vou-te deixar
Por Agora!

Santarém, 2004

Uma Noite...

Hoje Vi-te E Sorriste
E Infelizmente Ou Não
O Teu Sorriso Disse-me Tudo...

Tudo O Que As Palavras
Custariam A Dizer,
Magoariam A Sair.

Hoje O Teu Sorriso
Disse-me Aquilo Que Esperava,
E Ao Mesmo Tempo Aquilo
Que Eu Mais Temia.

Só Tenho Pena Que Não
Tivesse Demorado Mais;
Que O Tempo Não Nos Tivesse
Unido Toda A Noite
E Que O Acaso Não Nos Tivesse
Mantido Juntos Mais Tempo.

Hoje Quando Me Sorriste
Percebi Algo Que Me Parecera
Ter Esquecido À Muito...

Hoje, Sorri-te De Volta,
E Disse-te Nele Que Percebia
Aquilo Que Não Queríamos
Dizer Um Ao Outro.

Santarém, 2004

Flores...

Flores, tantas flores que por ai
Crescem, florescem e Vivem.

Porque tenho eu de ir
Sempre colher a flor errada?

Flores que nos sugam a respiração,
Flores que nos encantam,
E Flores que depois nos deixam de rastos.

Porque não fui eu tornar-me um florista?
Ao menos saberia qual a minha melhor flor.

Santarém, 2004

Words

"If the words I wrote where meant to change something around this society, then I guess, I would have wrote them the other way around"

I Wish I Was...

I Wish I Was...

Someone who could
just for once, make
the right decision
about love.

Who could once
understand what is to love

Who could once
Show all his love
and give all his love
to someone he really loved.

I wish I was just myself...

Santarém, 2004

18 julho 2004

Palavras Na Mente

Palavras que flutuam na nossa mente, por vezes só são mesmo par nos despertar algum sentido e avisar-nos que algo está para nos acontecer. No meu caso foi escrever, e no teu?

Santarém, 2004

Conta-me Histórias

Histórias Inacabadas,
E Sem Sentido, Onde
Nunca Ninguém Entrou
E Nunca Ninguém Saiu,
Como Era de Esperar.

Histórias Onde Palavras
Tornam Vivas As Personagens
Que Uma Mente Foi Criar
E Outro Foi Saborear.

Conta-me Histórias,
E Vira A Página...

Santarém, 2004

A Estação de Comboios...

Aquele lugar onde nos encontrámos,
Onde todos chegamos,
E todos partimos.

Nesta estação somos todos iguais,
Tanto eu como tu,
Vamos viajar, com semelhanças.

Carruagens verdes, amarelas, brancas,
Ou sejam elas castanhas ou cinzentas,
A nossa viagem tem um só destino.

Seja para Norte ou para Sul
Esta estação lá nos deixará

E ai eu e tu,
Saímos, pois o nosso destino
Era irmos naquele Comboio.

Coimbra, 2004

17 julho 2004

Esses Olhos



Se soubesses o quanto esses teus olhos fazem por uma vida, e o quão eles a iluminam, não estarias com essa tua cara, triste e desiludida. Mas naquele dia, ou talvez fosse sempre assim, não quiseste saber disso. E quando falei contigo, enquanto esses olhos brilhavam e iluminavam-me a alma, tu estavas parada noutro lugar longínquo. Pairavas pelo ar, e por pensamentos escondidos dentro de ti mesma, e estavas a preparar algo...

Se eu soubesse aquilo que te passava pela mente, teria-me atirado de cabeça, para no fundo desse coração despedaçado e perdido, procurar aquilo a que costumavas agarrar-te mais, aquilo com que mais gostavas de viver, aquilo a que tu chamavas amor. Mas na altura não me passava nada pela cabeça, a não ser esses teus maravilhosos olhos, que me pareciam hipnotizar e levar a um lugar teu, escondido, mas simplesmente maravilhoso.

Um lugar teu, tão belo, que mesmo que o fosse desenhar ou representar por palavras, jamais chegaria a alcançar uma pequena parta da beleza que ele realmente tinha. Foi nessa altura que percebi, que aquela cascata que eu imaginara escorrer nesse teu lugar, não passava de uma lágrima que deslizava desses teus olhos, suavemente, pelo teu rosto fora. Perguntei-me a mim mesmo, porque estarias a chorar, quando acabava de visitar o teu jardim privado, cheio de cores, alegria e sons, que me arrepiavam a cada segundo.

Mas não entendi, e pouco depois levantaste-te, pagaste e foste-te embora, sem virar as costas e sem nunca mais voltar. Não sei porque fizeste aquilo, mas aqueles pequenos, longos, segundos em que me permitiste visitar aquele teu lugar marcaram-me esta minha vida... Não é todos os dias que vejo uns belos olhos como esses, neste meu cantinho, neste meu pequeno consultório!

Santarém, Julho de 2004

O Dia Em Que Te Conheci...

Podia começar a escrever, ou melhor, a descrever o dia em que te conheci de diversas formas, estilos, e maneiras, mas nenhum deles, iria ser tão real como o próprio dia em que te olhei, em que te falei, em que te conheci. Pois esse foi o dia que mais me marcou, e desde então, nunca desejei nada mais, senão esse próprio dia! Porque é que foi aquele o dia, que escolheste, para me tirar a vida?!

Santarém, Julho de 2004

Diário De Um...

Hoje acordei bastante mal disposto e completamente arrependido de te ter conhecido. Pensei em deixar-te completamente, mas não passou de um pensamento. Mais um daqueles que não passa à acção. Pois se fosse assim tão fácil deixar-te, acho que já ninguém te queria. Embora às vezes, seja isso mesmo, temos medo do que nos podes fazer quanto te deixarmos e por isso nunca passamos à acção. Enfim, agora que escrevo isto, no fim deste dia, o primeiro de muitos, tais com outros que já vieram, vim dizer-te, que vou-te mesmo deixar. Calmamente, e Tranquilamente, vou-te deixando até que tu estejas preparado para me abandonares completamente! Tu e Eu! Hoje, pelo menos, espero poder dizer que chegou a altura de nos separarmos... Foste um grande prazer, mas ao mesmo tempo o pior deles todos. E agora não passarás do meu passado, ou assim eu espero... Porque tu, estás em todo o lado, quer eu queira quer não, esse vai ser o meu maior desafio! Boa noite...

Santarém, 1 de Junho 2004

Pássaro

Voa, por entre o Mundo,
Sem restrições, nem limitações,
Por entre países, cidades,
Vilas, aldeias e localidades.

Quanto mais as bate,
Mais elas mexem,
Mais longe voa,
Mais livre se torna.

Observa e voa,
O Pássaro é Livre,
O Pássaro Voa.

O caçador observa,
A mira ajeita-se,
O tiro dispara.

O Pássaro, que pelos livres
Ares, Voava e Vivia,
Acaba caindo do céu
Por entre sorridentes olhares,
Daqueles que aplaudem
O Caçador que celebra.

Lisboa, 2004

Aquele Cigarro...

Puxei-te de entre o maço e escolhi-te ao acaso, porque pensei eu, ias-me saciar este vício, maldito vício, que outros muitos, como tu me causaram.

Acendi-te, e enquanto te fumava, vi-te morrer, e desaparecer por entre os meus bafos, largos bafos, que te dei, e as cinzas em que te transformaste. Enquanto isso, o fumo pairava no ar, e tu meu cigarro escolhido, não passaste de uma ilusão, pois, agora que te foste, deixaste-me, ainda, com este vício maldito para outro mais...

Coimbra, 2004
*editado 18.12.2005

Um Momento

Sentado neste pequeno espaço público, que não passa de um degrau de uma porta, não uma porta qualquer, mas uma porta fechada e enferrujada, que algures no tempo esteve aberta e funcional.

Vejo e Observo. O que há à minha volta? Carros, uma ou outra árvore, prédios antigos, mas restaurados, pessoas, pássaros, lixo, e tudo o resto que se vê numa cidade, cidade essa de Coimbra.

Que sons oiço? Um *click*, o som de uma fechadura, de uma porta que se abre, uns passarinhos que alegremente, cantam e assobiam, uns carros que passam, um telefone que toca, umas pessoas que falam, e o baralho de um jovem, sentado num degrau de uma porta fechada, que escreve e pinta a azul, estas linhas de uma página outrora branca...

Um momento, podia ser qualquer momento, de todos os que vivemos e passamos, mas foi este e não outro.

Coimbra, 2004

Por Falar em Ser... ou Não Ser...

Era uma vez um rapaz que queria ser alguém, e mais ainda, queria ser um rapaz amado pelo mundo em que vivia. Mas esse rapaz tinha um problema, e ele não era igual aos outros rapazes da sua idade. Embora os rapazes da idade dele não reparavam nessa diferença, essa ,diferença, já lhe tinha sido imposta pela sociedade, ainda antes de ele próprio saber que ia aparecer. Para os rapazes da idade dele, ele era o máximo, e todos adoravam brincar com ele, falar com ele, estudar com ele, aprender com ele, e tudo mais...

Há medida que o rapaz foi crescendo, começou a aperceber-se da realidade que vivia à sua volta. As pessoas mais velhas olhavam-no de lado, os amigos que com ele tinham estado e vivido já se começavam a distanciar, e a tentar evitá-lo ao máximo. Pobre rapaz, continuava sem perceber o porquê de tal situação, e sem saber porque é que o mundo assim o tratava.

Cresceu, Aprendeu, e Viveu sempre distante de todos os outros, e longe dos que amava. Agora com ele só estavam rapazes como ele antes era. Estava já no Outono da vida, e continuava a tentar perceber, porque é que a Vida lhe tinha tratado assim e lhe tinha posto de lado, e afastado de todos aqueles quanto gostava.

Descobriu, porém, na véspera da sua morte, que o destino não lhe tinha sido traçado no início da sua Vida, mas sim há séculos atrás, e que como ele, estavam milhares e milhares de pessoas na mesma situação.

O seu nome era Discriminação...

Lisboa, 4 de Abril de 2004