06 outubro 2006

Voltar

Voltar. Regressar. Reaparecer. A acção de ir de novo para algo. O sentimento de Voltar. O Voltar de alguém em especial. O Voltar a um lugar especial. O Voltar de um objecto especial, que se perdera algures no tempo. Algo que Volta a aparecer, ou, que simplesmente, Volta a fazer parte de ti. O que sentes quando esse alguém, ou esse algo, Volta? O que sentes quando Voltas a esse lugar? O que terá mudado, para melhor e para pior? O que terá permanecido igual, tanto em ti, como naquele, ou naquilo, que Volta? Será que o facto de estar a Voltar, ou de estar de Volta, implica que tudo Volte a ser como dantes? Perguntas, que mesmo sem se fazerem, aparecem sempre que há uma acção de Voltar. Neste caso, ela, sentada, no seu lugar do avião, pensa na sua partida., e naqueles que deixou para trás, enquanto, espera, ansiosamente, que chegue ao seu destino. Que Volte a chegar. Que volte ao seu pequeno lugar na terra, a que chama casa. Ou que se habituou a chamar de casa. O lugar onde cresceu. O lugar onde se foi moldando, ao longo dos anos. Mas de momento, ainda não começou a pensar nele. Aliás, sempre pensou nele, mas tirou agora este momento da viagem, para pensar naqueles que deixou para trás. Sente-se ansiosa por chegar ao destino, mas ao mesmo tempo, há algo nela, e dela, que ficou para trás, e do qual não sabe quando vai Voltar a ver. É nisso que ela pensa. As amizades. A vida que Voltou a criar. Aquele conjunto de coisas, sentimentos, memórias, momentos, que foi coleccionando ao longo dos últimos anos… As pessoas que lá ficaram. Pensa naquelas que lhe são realmente importantes. Em pequenos, mas infinitamente largos, minutos, vêm-lhe pequenas imagens, recortadas de uma pequena curta-metragem, dos seus últimos anos…

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Chegaste. Acabaste de Voltar. Voltar às tuas origens. Voltar ao teu lugar, sagrado, no Mundo. Antes, de te levantares, do teu lugar, dás uma olhadela em teu redor, e vêm-te as memórias, que pareciam para sempre perdidas dentro de ti, à cabeça. Memórias de tudo aquilo, que já passaste, neste lugar. Respiras fundo. Sorris. Levantas-te, e pegas na pequena mochila, que te acompanhou, nestas últimas horas. Nesta curta, mas demorada, viagem pelos ares do Mundo. Pelos ares do mundo, e por dentro de ti mesma. O resto da bagagem, consegues reparar pela janela, já está, lá fora, mais do que preparada, para te acompanhar, nestes primeiros tempos, desta nova etapa. Caminhas, agora, em curtos passos, em direcção à saída. Sentes um pequeno nervosismo subir-te pelas pernas, mas dizes para ti mesma – É isto que eu quero. É! Vai correr tudo bem. – Estás já quase a sair, quando sentes algo, inexplicável, crescer no teu corpo. Não sabes ao certo o que será. Despedes-te com um sorriso, daquele comissário de bordo, que te andou a galar durante a viagem, enquanto, metes o pé direito fora do avião. O teu corpo parece estremecer, ao mesmo tempo em que sentes aquela humidade característica deste canto do Mundo. Parecia fazer parte daquele sentimento inexplicável que sentiras à pouco. Pensaste que poderia fazer parte de Voltar. O teu corpo estava a ser recebido pelos ares deste oriente. Sorris novamente. Sentes-te praticamente em casa, e o teu corpo, recebe-te, com um sorriso. Um sorriso largo, e alegre. Enquanto caminhas, calmamente, escadas abaixo, uma pequena vaga de vento sopra, fazendo com que os teus largos e compridos cabelos, flutuem pelo ar. Flutuam, rebeldemente, enquanto se hasteiam, bem alto, para se sentirem, novamente, no topo do Mundo. O teu corpo, está-se a recordar deste ambiente, e parece querer desfrutar, desde já, de todos estes sentimentos, já esquecidos, ao longo dos anos…


Boa viagem!