17 julho 2004

Esses Olhos



Se soubesses o quanto esses teus olhos fazem por uma vida, e o quão eles a iluminam, não estarias com essa tua cara, triste e desiludida. Mas naquele dia, ou talvez fosse sempre assim, não quiseste saber disso. E quando falei contigo, enquanto esses olhos brilhavam e iluminavam-me a alma, tu estavas parada noutro lugar longínquo. Pairavas pelo ar, e por pensamentos escondidos dentro de ti mesma, e estavas a preparar algo...

Se eu soubesse aquilo que te passava pela mente, teria-me atirado de cabeça, para no fundo desse coração despedaçado e perdido, procurar aquilo a que costumavas agarrar-te mais, aquilo com que mais gostavas de viver, aquilo a que tu chamavas amor. Mas na altura não me passava nada pela cabeça, a não ser esses teus maravilhosos olhos, que me pareciam hipnotizar e levar a um lugar teu, escondido, mas simplesmente maravilhoso.

Um lugar teu, tão belo, que mesmo que o fosse desenhar ou representar por palavras, jamais chegaria a alcançar uma pequena parta da beleza que ele realmente tinha. Foi nessa altura que percebi, que aquela cascata que eu imaginara escorrer nesse teu lugar, não passava de uma lágrima que deslizava desses teus olhos, suavemente, pelo teu rosto fora. Perguntei-me a mim mesmo, porque estarias a chorar, quando acabava de visitar o teu jardim privado, cheio de cores, alegria e sons, que me arrepiavam a cada segundo.

Mas não entendi, e pouco depois levantaste-te, pagaste e foste-te embora, sem virar as costas e sem nunca mais voltar. Não sei porque fizeste aquilo, mas aqueles pequenos, longos, segundos em que me permitiste visitar aquele teu lugar marcaram-me esta minha vida... Não é todos os dias que vejo uns belos olhos como esses, neste meu cantinho, neste meu pequeno consultório!

Santarém, Julho de 2004
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