25 agosto 2004

Até Quando?

A Vida hoje em dia parece rumar ao fundo do poço. A grande maioria das pessoas, a população mundial, vive cada vez mais afastada de si mesma. As sociedades tornaram-se em autênticos mundos à parte, onde cada um zela pelos seus interesses pessoais, e viva o dia-a-dia, cada vez mais, sem dignificar a causa da vida. O dinheiro e a ganância humana atingem limites ousados, em que se privilegia o bem estar de uma elite restrita da sociedade, do mundo, em contra-partida do nível de vida do resto da população mundial, que vive cada vez pior e abaixo de um limite aceitável.

O mundo chegou a fases em que, o outro, é cada vez menos parte de nós. Pouco nos interessamos pelos acontecimentos que se fazem passar à nossa volta, e quando o fazemos não passa de uma preocupação que nada ou pouco faz melhorar o mundo que nos rodeia. Estamos numa fase, em que poucos podem realmente fazer a diferença, e esses que podem, nem sempre o fazem, por interesses exteriores à causa. O mundo de hoje vive de lobbies, cunhas e da fortuna em contra-partida da sabedoria, esperteza e humildade.

A Política, onde falar, e criticar a oposição, ou melhor atacar, só pela mera razão de serem a oposição, aparece todos os dias, e em qualquer lado, em vez de fazerem e darem ideias, sugestões e acções que a oposição possa fazer para melhorar em conjunto a sociedade que nos rodeia.

As televisões, transmitem-nos notícias, em que nem sempre se sabe o que é verdadeiro e o que é falso, o que é teoria ou conspiração, e o que é facto ou o que é real, o que é forçado, o que é manipulado, alterado, aldrabado ou até escondido. Há sempre os dois interesses em jogo, e prevalece aquele que tiver mais poder, seja este económico, militar, político, ou outro qualquer. Cabe sempre a cada um de nós julgar a sua opinião, muitas vezes segundo os nossos próprios ideais, orientação política, religião, etc...

No mundo de hoje vive-se para ser alguém de poder, nasce-se, estuda-se, trabalha-se e morre-se. E cada vez menos há aquele amor há vida, aquela honra que cada um de nós deveria sentir em ser um SER Humano, e de dignificar aquela coisa, seja ela um DEUS, um ET, um Macaco, uma Explosão, ou outra coisa qualquer, que nos faz estar aqui hoje no mundo.

O trabalho é muitas vezes encarado como um mal, e quanto menos se fizer, desde que se vá vivendo já é uma satisfação, quando deveríamos estar a trabalhar mutuamente para interesses mútuos, tais como o de preservar em paz e harmonia a entidade humana. O trabalho tem que ser feito, e se ele é carpinteiro ou médico, o outro é polícia ou varredor, mas o que deveria decidir este ou aquele cargo, não é o poder económico-social, religião, sexo, raça, partido, etc, deste ou daquele individuo, mas sim a aptidão, a sabedoria, os conhecimentos, e claro, a vontade ou gosto de cada um de nós.

Vê-se o Mundo, as Sociedades, as Pessoas, as Vidas, e notamos que algo está mal, ou até muito mal, mas por onde começar num mundo tão egoísta, corrupto e materialista como o de hoje?? A História de "Amor" que se descreve neste texto pode parecer um mundo irreal, e impossível nos dias de hoje, ou talvez nem tanto... Será que vale a pena ficar de braços cruzados e deixar andar?

Enquanto uns crescem, enriquecem, constroem e destroem, outros morrem, matam-se, empobrecem, e desaparecem. Mas de quais é que nos recordamos? Conhecem-se os que governam, os que mandam, os que mandam matar, os que compram e mandam construir, etc, mas e os outros que vivem, que trabalham, que constroem, que matam e são mortos, passam-nos completamente ao lado, como se ninguém fossem.

Será que vale a pena morrermos por uma causa, por um Deus, por uma Religião, por uma Ideologia? Será que vale a pena matar por dinheiro, por uma Nação, por uma Bandeira, por mais um bem Material? De que nos servirá a riqueza, depois da morte? De que nos servirá derrubar isto, este, aquele ou aquilo, por um mero interesse que não seja a dignificação da causa Humana?

As grandes potências enriquecem, e levam consigo alguns países atrás, muitos desses só por meros interesses, enquanto outros empobrecem e destroem-se, também por meros interesses dessas mesmas super potências. A Globalização chegou a um ponto em que é um factor inevitável nos dias de hoje, mas infelizmente ela não é levada a cabo por interesses comuns ao bem-estar mundial. Tanto pode ajudar, construir e desenvolver pequenas, médias e grandes empresas, e países, como pode destruir e empobrecer outros.

Mas até quando a raça humana se vai deixar ser enganada? Até quando vamos viver num mundo cheio de burocracias, interesses e ideais? Um mundo, que não é destes ou daqueles, mas que é de todos NÓS. Um mundo em que todos devemos salvaguardá-lo, mantendo-o para que futuras gerações e gerações possam usufruir e habitar nele, como cada um de nós sempre quis e sonhou.

A Maior força do Mundo, embora muitas vezes nos esqueçamos, é o Povo, a População do Mundo. E nenhum Político, Religioso, Líder, Arma, Exército, etc, vencerá alguma vez um povo Mundialmente Unido. Mas será que abriremos os olhos tarde de mais?! Será que daremos as mãos tarde de mais?! Será que nos uniremos por um mesmo ideal tarde de mais?! Só o tempo, e cada um de nós, nos responderão a esta e outras questões...

Lisboa, 2003
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