25 julho 2004

A Primeira Vez

"Já alguma vez experimentaste?" - Perguntou ele, assustado e apavorado, porque na altura, não fazia a minima ideia do que haveria de fazer.
"Sim! E é bom... Muito Bom!" - Respondeu-lhe ela calmamente, com um ar de confiança total, que transcendia-lhe daquele sorriso lindo.

Nesse momento, ele, timido e envergonhado, ficou silencioso. Por entre o silêncio dele, percorriam-lhe dezenas e centenas de ideias pela cabeça, a confusão era tal que ele não sabia se haveria de seguir em frente e experimentar pela primeira vez, ou recuar sem olhar pra trás. Enquanto isso, ela observava-o e fazia aquele sorriso típico de quem observa alguem intimidado, e que não sabe aquilo que perde em não experimentar. Enquanto os dois, se observavam mutamente, sendo que nenhum deles ali estava presente nesse mesmo momento, o rapaz decidiu-se... E experimentou!

Foi assim que descobriu o quão bom que era! O quanto ele tinha perdido nesta vida, e ai ele soube, e decidiu-se, que naqueles anos todos, nunca havia experimentado uma sensação assim... E assim se tornou mergulhador.

24 Julho 2004

23 julho 2004

Aquela Viagem...

Dentro do avião olho e cheiro os últimos cheiros e as ultimas visões do sudoeste asiático. Recordo os momentos que tive, e aqueles que passei... Olho para o passado, e tento não pensar no Futuro longe da terra que aprendi a amar, a cidade onde vivi a minha juventude. Recordo os momentos alegres, os mais tristes, os acontecimentos e tudo aquilo a que chamamos vida... Paro para reflectir, no porque voltei e no porque parto. Cinco meses de volta pelo oriente passaram a voar e acabaram num abrir e fechar de olhos... Talvez o regresso tenha sido demasiado cedo por uma ilusão de algo que parecia mudar aquilo que não queria mudar... Neste momento, vejo e sinto que Errei. Pois aquilo que eu quero é mesmo aquela flor roxa, a flor que reguei quando precisava desabafar, a flor que me fez sorri, chorar, cantar, gritar,...

Aguardo a partida, e vejo à volta as vozes que se fazem ouvir. O Cantonês destaca-se dentro do avião, a língua pela qual me apaixonei, a língua que durante década e meia foi a voz da cidade que hoje vejo partir... Mais uma vez, olho e recordo, e reparo como o tempo voa, como os nãos passam sem uma pessoa dar por eles. – (...) –

Agora que faltam poucos minutos para partir, penso se esta será um “Adeus” ou só mais um “Ate Já”. Está quase a chega ao fim, mais uma passagem pelo Oriente e Agora vejo-me a pensar em quando é que poderei voltar a Ver e a Viver estes momentos únicos e belos que são, cada segundo neste continente onde aprendi e habituei, a Viver e a Amar.

Hong Kong, Agosto 2001

The Sun

Sunny Day, Rainy Day
When You Come,
When You Go,
There Will Always Be,
Someone Sad, Someone Happy.

But Sunny Day,
My Lovely, Beautiful Day,
Won't You Come and Stay!

Oh, Rainy Day, I Would Sadly
Ask You to Come Another Day...

Lisbon on a Rainy Day,
Winter 2000

20 julho 2004

O Caminho Incógnito

Quantas vezes dizia ele que te mostrava o caminho? E quantas vezes ficaste tu perdida? Mas acabaste sempre por voltar aqui! Porque não tentaste saber se eras suposta seguir o caminho, ou se o teu lugar era aqui?
Mas aventureira como sempre foste, continuaste à procura do caminho que ele te dizia mostrar. Sempre que te via partir, despedia-me com um até já, e tu acenavas-me como se fosse um adeus , um adeus para sempre!

Aí, se tu soubesses que isso era só um jardim, e por mais voltas que caminhos que tomasses dentro dele, regressarias sempre a casa, nunca te terias magoado da maneira que te magoaste. Mas esse jardim, não era um jardim qualquer, este era o teu jardim. Onde só crescia, floria, e respirava, aquilo que querias, aquilo que tu semeávas, aquilo que tu regávas...

Este caminho, que nunca parecia levar-te a lado nenhum e que ao mesmo tempo levava-te de volta a casa, era o teu caminho, dentro do teu jardim. Até que acordaste, e deixaste-te levar pela magia e paraste de planear a tua vida, e ai, esse teu jardim, deixou de ser aquilo que era... deixou de iludir-te como o caminho que tentavas sempre percorrer!

Santarém, 2004

O Amor

Quem será, será!
Quem for, foi...

O Amor é isso Mesmo!
Cego, Ardente, Sofredor!

Mas quando é mutuo,
Ai sim, o Amor é Aquilo,
Aquilo, Isto, Aquilo.

Aliás, ai o Amor é tudo.
Tudo o que Quisermos
E Tudo o que Dermos.

Ai o Amor, É Espectacular
É Extraordinário... É Amor!

E quando se Ama,
E é Amado,
A Vida Corre-nos
A Vida Vive-se....

2004

O Som e a Música

Duas ou três notas que tocam repetidamente neste rádio, mas que por si só são capazes de alterar um estado de espírito de qualquer pessoa. Vários sons compõem uma música, e várias músicas compõem um género. O que há de mágico na música que nos consiga alterar completamente o estado de espírito?

Todos temos aquelas nossas músicas que nos caem bem em qualquer altura, e depois temos aquelas que ouvimos só por ouvir, e finalmente as que ouvimos e quase nos transportam para o passado, lembrando-nos de um lugar, uma pessoa, uma noite, uma acção, enfim, lembrando-nos de qualquer coisa... E por vezes alterando-nos completamente!

A música não é só um hobbie, uma profissão, ou um espectáculo. A Música acima de tudo é a única arte que nos une pelos gostos, que nos une por um som, que nos leva todos a outro lugar, onde só cada um de nós o pode descrever. Lugar esse, onde um Som e uma Música, vale mais do que mil Palavras e vale mais do que uma Imagem.

Santarém, 2004

O Velho

O velho caminhava pelo jardim quando reparou nela, e nesse momento sentiu-se tão jovem que poderia voltar a fazer aquilo que fazia nos seus tempos... Tempos esses em que ele conseguia alcançar quase tudo o que desejava... Quase tudo, pois ela era a única coisa que ele sempre desejara e ao mesmo tempo, tudo o que ela odiara.

Ela, era aquela com que todos sonhavam, mas ao mesmo tempo, aquela que não alcançavam. Ela era a verdadeira MUSA, a mulher que todos queremos, mas que não quer ninguém. E hoje, passados muitos anos, ela estava ali sentada, no banco do jardim... Bonita como sempre e com uns olhos de encantar qualquer um. O seu sorriso continuava igual ao da primeira vez em que ele a conhecera.

Cruzaram olhares e ela sorriu, o que lhe deixou perdido. Perdido entre recordações, pensamentos, imagens que lhe flutuavam pela mente e que lhe pareciam levar a algum lado. Ele piscou-lhe o olho, deu meia volta e pensou para sim mesmo - "chegou a hora".

E posto isso partiu. Partiu, porque finalmente tinha conquistado aquilo que mais desejava e mais não tinha a fazer neste mundo de sonhos e ilusões.


Santarém, 2004

Mundo

Mundo Meu, Mundo Teu,
Por Onde Será Que Andas
Onde Será Que Te Meteste
E Porque Te Escondeste?

Mundo Meu, Mundo Teu,
Porque Não És Aquilo Que Imaginei,
Onde Foi Que Te Viraram
Onde Foi Que Te Destruiram...

Santarém, 2004

19 julho 2004

(Sem título)

Acordei a olhar para ti, E logo me apeteceu Ler-te.
Folhei-te um bocado, E só me deste vontade de Escrever-te.

O quê? Não Sei! Mas também não te importas.
Desde que eu pinte estas linhas, com coisas,
Palavras, ou qualquer coisa, Tu contentas-te...

Estou com uma dor de cabeça estrondosa,
É o troco da maluqueira! E que maluqueira!

Porque nos abrimos mais nesse estado?
Ou até demais? Ficamos bastante Vulneráveis?
Baixamos todas as defesas que fomos Erguendo,
E ai, tornamo-nos nós Mesmos?
Ou é a ilusão que tenho? Que puta de dor, esta que eu tenho,
E Como não te escrevo, vou-te deixar
Por Agora!

Santarém, 2004

Uma Noite...

Hoje Vi-te E Sorriste
E Infelizmente Ou Não
O Teu Sorriso Disse-me Tudo...

Tudo O Que As Palavras
Custariam A Dizer,
Magoariam A Sair.

Hoje O Teu Sorriso
Disse-me Aquilo Que Esperava,
E Ao Mesmo Tempo Aquilo
Que Eu Mais Temia.

Só Tenho Pena Que Não
Tivesse Demorado Mais;
Que O Tempo Não Nos Tivesse
Unido Toda A Noite
E Que O Acaso Não Nos Tivesse
Mantido Juntos Mais Tempo.

Hoje Quando Me Sorriste
Percebi Algo Que Me Parecera
Ter Esquecido À Muito...

Hoje, Sorri-te De Volta,
E Disse-te Nele Que Percebia
Aquilo Que Não Queríamos
Dizer Um Ao Outro.

Santarém, 2004

Flores...

Flores, tantas flores que por ai
Crescem, florescem e Vivem.

Porque tenho eu de ir
Sempre colher a flor errada?

Flores que nos sugam a respiração,
Flores que nos encantam,
E Flores que depois nos deixam de rastos.

Porque não fui eu tornar-me um florista?
Ao menos saberia qual a minha melhor flor.

Santarém, 2004

Words

"If the words I wrote where meant to change something around this society, then I guess, I would have wrote them the other way around"

I Wish I Was...

I Wish I Was...

Someone who could
just for once, make
the right decision
about love.

Who could once
understand what is to love

Who could once
Show all his love
and give all his love
to someone he really loved.

I wish I was just myself...

Santarém, 2004

18 julho 2004

Palavras Na Mente

Palavras que flutuam na nossa mente, por vezes só são mesmo par nos despertar algum sentido e avisar-nos que algo está para nos acontecer. No meu caso foi escrever, e no teu?

Santarém, 2004

Conta-me Histórias

Histórias Inacabadas,
E Sem Sentido, Onde
Nunca Ninguém Entrou
E Nunca Ninguém Saiu,
Como Era de Esperar.

Histórias Onde Palavras
Tornam Vivas As Personagens
Que Uma Mente Foi Criar
E Outro Foi Saborear.

Conta-me Histórias,
E Vira A Página...

Santarém, 2004

A Estação de Comboios...

Aquele lugar onde nos encontrámos,
Onde todos chegamos,
E todos partimos.

Nesta estação somos todos iguais,
Tanto eu como tu,
Vamos viajar, com semelhanças.

Carruagens verdes, amarelas, brancas,
Ou sejam elas castanhas ou cinzentas,
A nossa viagem tem um só destino.

Seja para Norte ou para Sul
Esta estação lá nos deixará

E ai eu e tu,
Saímos, pois o nosso destino
Era irmos naquele Comboio.

Coimbra, 2004

17 julho 2004

Esses Olhos



Se soubesses o quanto esses teus olhos fazem por uma vida, e o quão eles a iluminam, não estarias com essa tua cara, triste e desiludida. Mas naquele dia, ou talvez fosse sempre assim, não quiseste saber disso. E quando falei contigo, enquanto esses olhos brilhavam e iluminavam-me a alma, tu estavas parada noutro lugar longínquo. Pairavas pelo ar, e por pensamentos escondidos dentro de ti mesma, e estavas a preparar algo...

Se eu soubesse aquilo que te passava pela mente, teria-me atirado de cabeça, para no fundo desse coração despedaçado e perdido, procurar aquilo a que costumavas agarrar-te mais, aquilo com que mais gostavas de viver, aquilo a que tu chamavas amor. Mas na altura não me passava nada pela cabeça, a não ser esses teus maravilhosos olhos, que me pareciam hipnotizar e levar a um lugar teu, escondido, mas simplesmente maravilhoso.

Um lugar teu, tão belo, que mesmo que o fosse desenhar ou representar por palavras, jamais chegaria a alcançar uma pequena parta da beleza que ele realmente tinha. Foi nessa altura que percebi, que aquela cascata que eu imaginara escorrer nesse teu lugar, não passava de uma lágrima que deslizava desses teus olhos, suavemente, pelo teu rosto fora. Perguntei-me a mim mesmo, porque estarias a chorar, quando acabava de visitar o teu jardim privado, cheio de cores, alegria e sons, que me arrepiavam a cada segundo.

Mas não entendi, e pouco depois levantaste-te, pagaste e foste-te embora, sem virar as costas e sem nunca mais voltar. Não sei porque fizeste aquilo, mas aqueles pequenos, longos, segundos em que me permitiste visitar aquele teu lugar marcaram-me esta minha vida... Não é todos os dias que vejo uns belos olhos como esses, neste meu cantinho, neste meu pequeno consultório!

Santarém, Julho de 2004

O Dia Em Que Te Conheci...

Podia começar a escrever, ou melhor, a descrever o dia em que te conheci de diversas formas, estilos, e maneiras, mas nenhum deles, iria ser tão real como o próprio dia em que te olhei, em que te falei, em que te conheci. Pois esse foi o dia que mais me marcou, e desde então, nunca desejei nada mais, senão esse próprio dia! Porque é que foi aquele o dia, que escolheste, para me tirar a vida?!

Santarém, Julho de 2004

Diário De Um...

Hoje acordei bastante mal disposto e completamente arrependido de te ter conhecido. Pensei em deixar-te completamente, mas não passou de um pensamento. Mais um daqueles que não passa à acção. Pois se fosse assim tão fácil deixar-te, acho que já ninguém te queria. Embora às vezes, seja isso mesmo, temos medo do que nos podes fazer quanto te deixarmos e por isso nunca passamos à acção. Enfim, agora que escrevo isto, no fim deste dia, o primeiro de muitos, tais com outros que já vieram, vim dizer-te, que vou-te mesmo deixar. Calmamente, e Tranquilamente, vou-te deixando até que tu estejas preparado para me abandonares completamente! Tu e Eu! Hoje, pelo menos, espero poder dizer que chegou a altura de nos separarmos... Foste um grande prazer, mas ao mesmo tempo o pior deles todos. E agora não passarás do meu passado, ou assim eu espero... Porque tu, estás em todo o lado, quer eu queira quer não, esse vai ser o meu maior desafio! Boa noite...

Santarém, 1 de Junho 2004

Pássaro

Voa, por entre o Mundo,
Sem restrições, nem limitações,
Por entre países, cidades,
Vilas, aldeias e localidades.

Quanto mais as bate,
Mais elas mexem,
Mais longe voa,
Mais livre se torna.

Observa e voa,
O Pássaro é Livre,
O Pássaro Voa.

O caçador observa,
A mira ajeita-se,
O tiro dispara.

O Pássaro, que pelos livres
Ares, Voava e Vivia,
Acaba caindo do céu
Por entre sorridentes olhares,
Daqueles que aplaudem
O Caçador que celebra.

Lisboa, 2004

Aquele Cigarro...

Puxei-te de entre o maço e escolhi-te ao acaso, porque pensei eu, ias-me saciar este vício, maldito vício, que outros muitos, como tu me causaram.

Acendi-te, e enquanto te fumava, vi-te morrer, e desaparecer por entre os meus bafos, largos bafos, que te dei, e as cinzas em que te transformaste. Enquanto isso, o fumo pairava no ar, e tu meu cigarro escolhido, não passaste de uma ilusão, pois, agora que te foste, deixaste-me, ainda, com este vício maldito para outro mais...

Coimbra, 2004
*editado 18.12.2005

Um Momento

Sentado neste pequeno espaço público, que não passa de um degrau de uma porta, não uma porta qualquer, mas uma porta fechada e enferrujada, que algures no tempo esteve aberta e funcional.

Vejo e Observo. O que há à minha volta? Carros, uma ou outra árvore, prédios antigos, mas restaurados, pessoas, pássaros, lixo, e tudo o resto que se vê numa cidade, cidade essa de Coimbra.

Que sons oiço? Um *click*, o som de uma fechadura, de uma porta que se abre, uns passarinhos que alegremente, cantam e assobiam, uns carros que passam, um telefone que toca, umas pessoas que falam, e o baralho de um jovem, sentado num degrau de uma porta fechada, que escreve e pinta a azul, estas linhas de uma página outrora branca...

Um momento, podia ser qualquer momento, de todos os que vivemos e passamos, mas foi este e não outro.

Coimbra, 2004

Por Falar em Ser... ou Não Ser...

Era uma vez um rapaz que queria ser alguém, e mais ainda, queria ser um rapaz amado pelo mundo em que vivia. Mas esse rapaz tinha um problema, e ele não era igual aos outros rapazes da sua idade. Embora os rapazes da idade dele não reparavam nessa diferença, essa ,diferença, já lhe tinha sido imposta pela sociedade, ainda antes de ele próprio saber que ia aparecer. Para os rapazes da idade dele, ele era o máximo, e todos adoravam brincar com ele, falar com ele, estudar com ele, aprender com ele, e tudo mais...

Há medida que o rapaz foi crescendo, começou a aperceber-se da realidade que vivia à sua volta. As pessoas mais velhas olhavam-no de lado, os amigos que com ele tinham estado e vivido já se começavam a distanciar, e a tentar evitá-lo ao máximo. Pobre rapaz, continuava sem perceber o porquê de tal situação, e sem saber porque é que o mundo assim o tratava.

Cresceu, Aprendeu, e Viveu sempre distante de todos os outros, e longe dos que amava. Agora com ele só estavam rapazes como ele antes era. Estava já no Outono da vida, e continuava a tentar perceber, porque é que a Vida lhe tinha tratado assim e lhe tinha posto de lado, e afastado de todos aqueles quanto gostava.

Descobriu, porém, na véspera da sua morte, que o destino não lhe tinha sido traçado no início da sua Vida, mas sim há séculos atrás, e que como ele, estavam milhares e milhares de pessoas na mesma situação.

O seu nome era Discriminação...

Lisboa, 4 de Abril de 2004