25 agosto 2004

História de Um Rapaz

Os contrastes da vida alteram-nos completamente e fazem-mos ou felizes, enérgicos e com força para viver, como também nos metem de rastos, sem paciência nem força para a realidade cruel que o mundo nos transmite. Hoje escrevo sobre este último caso... A tristeza, a solidão, e a tentativa de fuga deste mau episódio da vida de qualquer um. Talvez não de todos, mas de muitos, e para esses muitos, a luz, aquela pequena chama interna da alma, tem de estar sempre muito bem acesa e iluminada, para que não caiam no erro, o erro de terminar com esta maravilhosa sorte, que nem sempre se parece, que é ser um SER Humano. Não só sorte, como também uma honra, e um dom precioso. Algo que jamais deveremos abdicar-nos, por mais torta, ou mal que a vida nos vá correndo...

Teremos sempre uma porta aberta à nossa espera, por mais escondida, baralhada ou confusa que esta esteja, independentemente de acreditarmos em algum Deus, ou algo superior a nós ou não, a vida é algo que só vem, só vive, só vê, só sente, só qualquer coisa que seja, uma e uma só vez. O nosso objectivo em quanto habitantes, residentes, seres deste mundo é o de desfrutar de todas as paixões belezas, aventuras, sonhos, etc, que ele nos proporciona, independentemente, dos abusos deste ou daquele. Aproveitar a vida ao máximo, deixando, ou melhor dando lugar, depois aos nossos próximos, num mundo ainda melhor do que aquele em que nós vivemos.

E aqui começa, só mais uma das muitas vidas que reside, que vive e tenta viver neste mundo. Não é nenhum herói, nem nenhum fracassado, não é nenhum presidente nem nenhum terrorista, nem é uma vida de sucesso nem de insucesso, pois isso só o futuro e os nossos sonhos ou desejos é que escreverão...

Era um jovem alegre, forte, enérgico, sempre cheio de saúde e vida, andava sempre eléctrico, e cheio e vontade para a vida e o mundo. Gostava de falar, aliás até diziam que falava de mais... Sempre traquina, nunca parava quieto e tinha sempre um truque ou brincadeira pronta debaixo da manga. Adorava viajar, conhecer o mundo, as pessoas, as culturas, os costumes, etc... Tinha também uma imaginação muito iluminada e adorava fazer e contar histórias, enfim, era uma jovem criança, ainda prestes por viver os piores momentos da sua vida! O que eram as aulas, as missas, os sermões, as discussões, os stresses, que já lhe chateavam comparados com o que o destino lhe apontaria?

Com os tempos foi perdendo a energia que sempre tivera, e perdendo o dom da palavra que tanto o caracterizava desde criança, ficando mais tímido e calado, mas mantendo sempre a chama e a energia interna bem acesa e prestes em todo o lado que ia e em tudo o que fazia, por vezes até em excesso. O gosto pela vida, o mundo, os lugares e as pessoas continuava intocável, embora o futuro começasse a fazer-lhe tremer, pelo choque e a realidade que o mundo ia descortinando aos poucos...

Com os anos, já um jovem adulto, sente-se inseguro, indeciso, e sem vontade para olhar o "mundo" que está ao seu alcance. O stress e a confusão, deste pequeno novo mundo a que tentava, e ao qual era suposto integrar e habituar, começavam a fazer as suas marcas. A chama começou-se a apagar lentamente, até chegar a um ponto em que os dias iam passando, correndo e voando um atrás do outro, e a vida ia seguindo o rumo que o vento decidisse...

Estava num "mundo" que nada tinha a ver consigo, ou com o que sempre tinha esperado, e num "mundo" extremamente competitivo, no sentido errado. Enfim, ia vivendo e passando os dias, até que se decidiu, tentar mudar com as suas próprias mãos, e com a sua chama interna, o rumo que a vida lhe rumava. Com o tempo as coisas, iam melhorando em seu redor, porém, o stress deste "mundo" era algo que não lhe pertencia, e ao qual dificilmente se conseguiria encaixar, mas mesmo assim a chama que agora ia-se iluminando cada vez mais, dava-lhe forças necessárias para enfrentá-los, ou contorná-los, conforme fosse necessário. Porém nestas alturas, em que se tenta recompor, qualquer turbulência exterior, pode ser a suficiente, para desanimá-lo e era isto que ia acontecendo por diversas vezes, e pelas razões mais variadas.

Por mais tranquilo e controlado que ele pensasse que estava, os acontecimentos mais turbulentos causavam nele recaídas, por vezes a pico, que só não o explodiam, graças à chama iluminadora, que tentava manter-se acesa ao mais alto nível e com a maior vivacidade possível. Nestas alturas, "agarra-se" ás belas coisas da vida, e que a vida nos pode proporcionar, para se manter de pé e com forças suficientes para continuar, por entre este labirinto, à procura da saída mais próxima, ou talvez a melhor saída possível, pois cada saída poderia trazer mais outro labirinto mais complicado e mais complexo, que inevitavelmente fazem parte da vida. Coisas como a família, os amigos, o amor, a natureza e os sons dela, a música, a beleza, etc, davam-lhe baterias extras à luzinha, a chaminha perturbada.

Felizmente nestas alturas, estas são as melhores e únicas coisas com que realmente nos devemos preocupar, pois foi isto que o jovem fez, e foi isto que lhe foi traçando o labirinto e iluminando as caminhadas que fazia por entre o labirinto, Caminhando sem pensar demasiado nas causas que o fizeram cair nele, mas sim caminhando e tentando desfrutar, investigar e vivendo cada caminho do labirinto à procura de mais e novas experiências, par quando finalmente saísse dele, estar preparado para caminhar e viver sem se enganar e deixar cair noutro precipício cujas saídas só viriam através desses labirintos.

Hoje o jovem é alguém, alguém que tu queiras, ou talvez alguém que tu conheças, ou venhas a conhecer... Ou talvez sejas tu ou seja eu o jovem? Pode ser alguém que se veja e seja conhecido, ou pode ainda ser alguém que continua por aí perdido, ainda à procura de uma saída desse labirinto. Por isso mesmo, devemos abrir novas portas e traçar novos caminhos a todos aqueles que se encontram nestes labirintos, pois um dia poderemos ser nós mesmos a cair ou entrar nele sem nos apercebermos disso. Vale sempre a pena tentar melhorar, o todo que nos rodeia, pois só assim, também nós próprios nos encontraremos e viveremos melhor.

Pense novamente...!

Lisboa, 2002~2003
Enviar um comentário