02 novembro 2004

Piriquito

Viste-me Nascer, Crescer, e Viver.

Deste-me este nome, que me acompanha agora, e que me fez ser aquilo que sou hoje. Mesmo, fechado nesta gaiola, conseguiste-me iludir, e fazer viver, fazendo-me crer que tudo não passava duma gaiola fictícia, que afinal acabei por descobrir, o é…


Amaste-me, Acarinhaste-me, Ensinaste-me a Vida, e deste-me tudo aquilo que poderia prescisar, e tudo aquilo que poderia querer. Eras como uma inspiração, e uma fonte de energias, inesgotáveis, e davas a tua força a tudo aquilo que tocavas.


Abriste-me a gaiola, e deixaste-me voar e viver o mundo todo á minha maneira, mas só hoje, percebi o quanto valia a minha gaiola. O valor que te dava, e o quão a minha gaiola e a tua companhia me eram importantes e necessários.


Soltaste-me, mas eu não fui capaz de encontrar o caminho de volta, nem fui capaz de cantar e tentar encontrar-te novamente. Agora enquanto voo, tento encontrar uma nova gaiola, uma gaiola a que me possa agarrar, e que me dê simplesmente algo parecido com tudo aquilo que tu me deste e fizeste, e que eu não fui capaz de te retribuir… Hoje, queria simplesmente voltar a cantar para ti, e ver-te sorrir, como nunca.



Para sempre,

Café a Dois

Naquela tarde, estavas tu sentada, naquele mesmo canto do café, e pausadamente o tomavas, quando deste pelo olhar dele. Já sabias quem ele era, e já antes tinhas reparado naquele olhar, aquele olhar que te parecia penetrar o Coração, e que te deixava com uma certa ansiedade.

Mas, nesse dia, também tu notaste algo diferente no olhar dele. Aquele olhar que tantos cafés te tinham feito tomar, nesse dia, parecia outro. E isso arrepiou-te... Sentiste uma pequena brisa atravessar-te levemente o corpo, e ainda pensaste que poderia ser algum sinal, mas rapidamente largaste os teus pensamentos, e concentraste-te novamente naquele olhar.

Enquanto olhavas, timidamente, pelo canto do olho, reparaste que o olhar se desviara. Levantou-se e começou a caminhar no teu sentido. Nesse momento sentiste um tremor de terra dentro ti mesma, e sem dares por isso escorreu-te, levemente, uma gota pela testa. Sentiste ainda um calor tremendo, e parecia que tinhas o coração a arder, e quanto mais ele se aproximava, mais derreteste…

A tua alma ia-se derretendo, silenciosamente, enquanto te crescia uma tremenda ânsia. Não sabias o que fazer, nem o que dizer, e então num pequeno instante lembraste-te de tentar-te refrescar, atirando-te para o fundo do café. Desviando, fixamente o olhar para a outra ponta do café, como quem não queria a coisa. Tentado enganar-te a ti mesma, e ao mesmo tempo, ganhar algum tempo…

Nesse momento, ele, que te observava por entre milhares de pensamentos, e que finalmente tinha decidido ir ao teu encontro, estremeceu. Parou… Olhou calmamente para trás, a tentar perceber, para onde o teu olhar se desviara, agora. Nessa altura, o olhar dele, cruzou-se com o dela, que acabara de entrar no café. Ai, os dois olhares prenderam-se um ao outro, de tal forma que parecia terem trocado mil palavras entre eles, naqueles segundos. Não era um olhar qualquer, pois, aquele olhar que os juntou, parecia que já estava predestinado, e parecia que ambos já estavam à espera um do outro.

Reparaste, enquanto tentavas acalmar-te e refrescar-te naquele canto do café, que agora ele caminhava numa direcção oposto. Caminhava em direcção a algo que brilhava na entrada do Café, mas não conseguiste ver bem o que era, e foi a última vez que o viste. Estremeceste. O teu Coração quase parou, e ainda sentiste a tua alma gelar, antes de voltar a aquecer, ao som do despertador a tocar. Acordaste, e rapidamente te deste da realidade, pois, notaste que afinal, ele estava bem ao teu lado.

Santarém Outrobro 2004

Sol (Taai Joeng)

És aquele que nos ilumina os dias,
Aquele que nos aquece,
Aquele que nos descasca,
Aquele que nos bronzeia,
Aquele que nos dá Vida,
Aquele que nos faz Viver...

Enquanto, tu, Meu Sol,
Eras aquela que me iluminava,
Aquela que me metia um Sorriso,
Aquele Sorriso denunciado,
Aquele Sorriso Apaixonado.

Tu, Meu Sol, eras aquela por quem,
Eu acordava e anciava,
Ver e Partilhar o meu dia-a-dia.
O Sol do meu Coração,
O Sol da minha Alma,
O Sol da minha Vida.

Enquanto aguardo que a noite acabe,
E que um novo dia nasce,
Espero por um dia de Céu azul,
Onde te poderei Ver novamente,
Meu Sol...

太陽

Santarém