15 novembro 2006

Estava uma bonita, e fresca, tarde de Outono. Fresca, mas não tanto. O Sol, embora pequeno, iluminava de uma forma quase mágica, aquelas antigas ruas da cidade, repletas de, praticamente desnudas, árvores, pintadas em variados tons acastanhados. O sol, permitia ainda, que esta tarde, não fosse tão fresca como as outras tardes de Outono, o que a tornava, numa ainda mais bela tarde de Outono. Eu, caminhava, descontraidamente, saboreando cada passo que dava, aproveitando ao máximo, cada pequeno momento, desta rara tarde, quando, inesperadamente, senti o teu cheiro penetrar-me pelas narinas, hipnotizando-me, quase que de imediato, pelo teu fantástico aroma, fazendo-me seguir o seu rasto, até à entrada do café. Entrei. Parei. Respirei fundo, e deixei-me levar pelo teu, cada vez mais intenso, cheiro. Deixei que o teu cheiro se apoderasse de mim, e dos meus sentidos, e sem notar, deixei que ele me começasse, lentamente, a tomar conta dos pensamentos. Olhei em meu redor, e sem dificuldade alguma, encontrei-te logo. Encontrei-te e, sem perceber, fiquei completamente vidrado em ti. No meio daquele longo café, tu foste capaz de te sobressair a tudo o resto. Avancei em teu encontro e, inconscientemente, comecei a gravar-te mentalmente. A gravar-te e a descascar-te completamente. Descascar-te, para posteriormente, te saborear. Lembro-me, que estavas iluminada por umas fortes e belas luzes, geométrica e ordenadamente posicionadas, para te melhor realçar, no meio de todos. Estavas, como que embrulhada, por um belo e charmoso vestido preto, repleto de pequenas flores, coloridas, que pareciam ter sido miraculosamente colhidas de um belo jardim. Não de um qualquer belo jardim, mas, de um jardim tão belo, e imaginário, onde nem as mais belas flores do mundo poderiam lá crescer. O teu pequeno vestido, tinha um, também ele pequeno, decote, tracejado por um pequeno picotado, que permitia, de certa forma, observar as tuas belas e apaixonantes, formas e curvas. Permitia, ainda, ter uma pequena amostra, do teu belo e doce perfume. Agarrei-te. Agarrei-te, e abracei-te, e comecei, a despir-te lentamente, pelo pequeno picotado do teu decote. Depois, com um breve olhar, de cima a baixo, apreciei, em pequenos segundos, as tuas maravilhosas e suaves formas, enquanto, permitia aos meus dedos deslizarem tranquilamente pelo teu doce corpo. Senti-os ficarem, como que, besuntados por ti. Apeteceu-me, logo, comer-te. Comer-te e devorar-te. Devorar-te devagarinho. Devorar-te e saborear, descontraidamente, cada pedaço do teu corpo, para assim, guardar o teu gosto, e o teu aroma, por muito tempo. Mas não o fiz. Não o fiz, porque, no momento em que finalmente ia saborear tal doçura, fui, nova e inesperadamente, interrompido, por algo que me chamou de volta à realidade. E, quando o teu feitiço foi finalmente quebrado, pelo rapaz que servia ao balcão, reparei, que afinal não passavas de uma pequena barra de chocolate. E, como não gosto de chocolate, acabei por ficar com o bolo…
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